Ex-presidente da Fetranspor se nega a responder à CPI dos Transportes

O ex-presidente da Fetranspor, Lélis Teixeira, foi interrogado nesta sexta-feira (18/5) na CPI dos Transportes, que apura supostas irregularidades no setor, na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj). Lélis não respondeu a nenhuma das perguntas do presidente da Comissão, deputado Eliomar Coelho (PSOL), e dos demais integrantes sobre a sua gestão na Federação. O executivo estava acompanhado de dois advogados e apresentou um salvo-conduto, que lhe dava o direito de ficar em silêncio.

Depois da intervenção do vice-presidente da CPI, deputado Gilberto Palmares (PT), o ex-presidente da Fetranspor pediu a palavra para dar uma informação: “Não sou barão, não sou empresário, sou um executivo contratado, um funcionário. Não há falta de respeito à Assembleia e aos deputados. Propus ficar em silêncio, para responder depois por escrito”. Lélis disse ainda que estava afastado há um ano por motivo de saúde e que não teria todos os dados que foram pedidos na oitiva. “Não estou fugindo das perguntas. Vou responder ao que eu tenho condições, da minha época”, revelou.

Os questionamentos foram a respeito da relação pessoal ou de sociedade com agentes públicos, a trajetória de Lélis na Federação, sobre a contratação de empresas e a operação do sistema de bilhetagem eletrônica e os investimentos feitos no setor de transporte pela Setrans. Palmares lembrou ainda que o RioCard, que opera o Bilhete Único nos transportes coletivos em nome da Fetranspor, recebe dinheiro do governo estadual. “Em 2014 foram R$ 545 milhões; em 2015, R$ 595 milhões; e em 2016, R$ 624 milhões. Então é o Estado dando dinheiro para os barões do transporte e a população pagando o preço alto das passagens. Cabe à CPI investigar essas irregularidades”, destacou, Palmares.

Eliomar Coelho informou que vai recorrer à Procuradoria Geral da Alerj para revogar a decisão de Lélis se negar a responder à oitiva. “Dessa forma, ele está obstruindo os trabalhos da comissão. Temos prerrogativa pra isso, e a Procuradoria nos dirá qual o procedimento a ser adotado para termos as repostas das perguntas formuladas”, explicou Eliomar.

Os deputados Nivaldo Mulin (PR) e Marta Rocha (PDT) também participaram da sessão extraordinária.

Lélis Teixeira é acusado de ter participado de esquema que movimentou R$ 260 milhões de empresas de ônibus para políticos e responde a três ações penais. Ele foi preso em operações como “Ponto Final” e “Cadeia Velha”, desdobramentos da Lava Jato no Rio, e está em liberdade por conta de habeas corpus concedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

Foto: Octacílio Barbosa/ Alerj

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