Consórcios não cumprem acordo após aumento de tarifas

Uma das condições para o aumento das tarifas, de R$ 3,60 para R$ 3,95, era que os consórcios encampassem a volta das linhas de ônibus que deixaram de circular devido ao fechamento das empresas. O compromisso, assumido com o prefeito Marcelo Crivella e já previsto no contrato de concessão, dava o prazo de 30 dias para o retorno dos trajetos, mas até agora os passageiros continuam sem condução.

Segundo matéria do jornal O Globo desta terça-feira (17/7), na Urca, quem dependia da 581 (Leblon-Cosme Velho) e 582 (Leblon-Urca) se sente ilhado. Ambas as linhas deixaram de circular em dezembro, quando a Viação São Silvestre, que fazia 15 itinerários no Centro e na Zona Sul, faliu. O mesmo aconteceu com a 351 (Irajá-Candelária), que era da Rubanil, e com a 928 (Marechal Hermes-Bonsucesso), da Madureira Candelária, também falidas. Há ainda reclamações de usuários da ausência das linhas Troncal 8, 890, 818, 817, 826, 391, 367, 376, 924, 914, 376 e 934, entre outras.

Passageiros gastam mais tempo e dinheiro

Para os moradores da Urca se deslocarem até o Leblon são necessárias duas conduções, indo de ônibus até a estação do metrô ou à Praia de Botafogo para pegar outro modal.

A linha 351, principal ligação de Irajá ao Centro, sumiu há quatro meses. Hoje, a alternativa é pegar um ônibus até o metrô (em Coelho Neto) e de lá seguir viagem. A linha 349 (Rocha Miranda-Castelo), que seria outra opção, passa por dentro dos bairros em vez de ir pela Avenida Brasil, tornando a viagem mais longa.

Em Bonsucesso, a queixa é do sumiço, também há quatro meses, da 928, que levava a Marechal Hermes. Quem sai do bairro para Madureira, por onde a linha passava, tem que pegar um ônibus até a Penha e de lá completar o trajeto no BRT.

Secretaria segue aplicando multas aos consórcios

A Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) disse ontem que “segue atuando com rigor no que diz respeito ao sumiço das linhas de ônibus das ruas”. Só no último mês, segundo a pasta, os quatro consórcios já foram autuados 484 vezes por operar abaixo da frota e por inoperância de linhas. Ainda de acordo com a secretaria, nesta segunda-feira (16/7), foi instituída a comissão de trabalho para fiscalizar o cumprimento do acordo entre município e consórcios.

O Rio Ônibus, sindicato das empresas do setor, mencionou mais uma vez a crise do setor e disse e que “todos os esforços estão sendo empenhados para normalizar o sistema o mais rápido possível”.

No começo do ano, a Prefeitura chegou a anunciar que faria uma nova licitação para as linhas que sumiram. A SMTR disse que a possibilidade estava em estudo.

Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

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