MPRJ x Fetranspor

Editorial

O Ministério Publico do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) parece ter sido tomado por uma guerra santa  contra a Fetranspor. Sua obsessão é desestabilizar e eventualmente estatizar o sistema de controle, bilhetagem e articulação dos modais de transporte no Rio.

Passa a impressão de que seu objetivo maior não é punir os corruptos que usaram a Fetranspor como balcão e canal para distribuição de propinas, mas sim extinguir a entidade. A Fetranspor é, sabidamente, responsável por uma boa parcela da estrutura de apoio e suporte para o funcionamento da malha de transportes multimodal do Rio e de vários outros grandes municípios.

Tem capital humano com farta experiência, tecnologia própria e um sistema inteiramente digitalizado, com processos complexos testados. Em todas as vezes em que outros casos de irregularidades surgiram, resultando em dezenas de  operações da Polícia Federal e condenação de centenas de criminosos, não houve o propósito de destruir as corporações.

E não foram poucas as instituições públicas e privadas que tiveram seus donos e gestores afastados e punidos. Rememorando o saudoso Roberto Campos, não se deve jogar o bebê fora só porque a água da bacia está suja. A extinção da Fetranspor representaria um ato de exceção, mesmo que alguma interpretação jurídica suportasse a medida com base na Lei Anticorrupção.

Sim, um ato de exceção porque ninguém cogitou tal iniciativa em nenhuma outra hipótese de prática de corrupção. No final, será ruim para todos os habitantes do Rio de Janeiro dependentes do sistema de transporte urbano.

Uma péssima notícia nesse período de Natal.

 

Denise Almeida

Editora do Estação Rio

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