Consórcio BRT Rio critica medidas do interventor

O Consórcio BRT Rio, que opera os corredores Transcarioca, Transoeste e Transolímpico, publicou nesta quinta-feira (14/03) nota em que lista 12 pontos com críticas às medidas do interventor Luiz Alfredo Salomão. O interventor foi nomeado pelo prefeito Marcelo Crivella, em 29 de janeiro deste ano, para sanar problemas no sistema. A nota questiona “a ausência de medidas do Poder Público que propiciem maior segurança e qualidade do serviço prestado pelo concessionário” e manifesta “sua preocupação com as informações recebidas da equipe da intervenção de que haverá indicação de políticos para cargos técnicos no BRT”.

A intervenção no BRT Rio foi anunciada com o aumento da tarifa de ônibus, que subiu para R$4,05. Na ocasião, o prefeito prometeu apresentar em 180 dias um diagnóstico para estabelecer um plano de ação com medidas que melhorem os serviços.

A Prefeitura também por meio de nota disse que “esta é mais uma reação de empresas operadoras do BRT que temem a abertura da ‘caixa preta’ do sistema. Isto é, querem impedir que a intervenção desvende os mecanismos de distribuição do dinheiro das passagens”.

Veja a íntegra da nota do Consórcio BRT:

1 – O Consórcio BRT Rio informa que está cumprindo integralmente a decisão da Justiça que determinou o afastamento de seu diretor-presidente, Jorge Dias. O executivo está afastado da gestão operacional do consórcio desde o dia 29 de janeiro, quando foi anunciada a intervenção pela Prefeitura do Rio.

2 – O Consórcio BRT Rio esclarece também que, mesmo com o afastamento de seu diretor-presidente, todos os pagamentos às empresas que formam o consórcio operacional e aos fornecedores estavam sendo feitos normalmente, desde o dia 29 de janeiro.

3 – A suspensão de pagamentos às empresas concessionárias prestadoras do serviço e aos fornecedores do BRT, a partir de março de 2019, foi uma decisão unilateral do interventor, desnecessária e de caráter político.

4 – O Consórcio vem, por meio da presente nota, externar sua preocupação com as informações recebidas da equipe da intervenção de que haverá indicação de políticos para cargos técnicos no BRT, atribuindo os custos de remuneração desses cargos ao Consórcio operacional, uma medida considerada inadequada por decisões já proferidas pela Justiça em outros casos de intervenção do poder público em entidades privadas.

5 – Mesmo após 40 dias da decretação da intervenção, o interventor ainda não apresentou nenhum plano efetivo para a melhoria do sistema BRT.

6 – A ausência de medidas do Poder Público que propiciem maior segurança e qualidade do serviço prestado pelo concessionário permanecem, a despeito da intervenção imposta, o que tem acarretado a aceleração da degradação do serviço prestado aos passageiros nos corredores Transoeste, Transcarioca e Transolímpica.

7 – É inaceitável que o BRT seja obrigado a suportar diariamente um elevado índice de evasão de receita com o não pagamento da tarifa por milhares de usuários.

8 – Também é inadmissível que a equipe de intervenção ainda não tenha uma resposta rápida e concreta para as condições precárias das pistas de circulação dos ônibus articulados, que já provocaram a retirada de mais de 70 veículos de operação e aumentaram consideravelmente o tempo de viagem ao longo dos corredores.

9 – Não é possível tolerar ainda a ação descontrolada de ambulantes e os sucessivos atos de vandalismo em todo o sistema BRT, que comprometem a segurança e o conforto dos passageiros.

10 – O Consórcio BRT Rio vê com muita apreensão o processo de intervenção, que ainda não apresentou resultados efetivos, nem mesmo um cronograma de ações com prazos definidos.

11 – A tentativa de responsabilizar os empresários pela falta de ações da equipe de intervenção só levanta suspeitas sobre o caráter político e não técnico dos interventores.

12 – O Consórcio BRT Rio permanece interessado em uma solução conjunta com a Prefeitura, mas é preciso haver diálogo e não imposições desproporcionais por parte do interventor, como se tem verificado até o momento.

Resposta da Prefeitura:

Não há nenhum político trabalhando no grupo da intervenção. Esta é mais uma reação de empresas operadoras do BRT que temem a abertura da “caixa preta” do sistema. Isto é, querem impedir que a intervenção desvende os mecanismos de distribuição do dinheiro das passagens. Por isso, tentam manter na direção seus representantes anteriores, que foram destituídos, com reconhecimento judicial.

Essas empresas ameaçam a população com a retirada de ônibus de circulação. Se fizerem isto, serão responsabilizados pela Prefeitura na Justiça.

Em 40 dias não é possível remontar um sistema mal planejado e mal executado há sete anos. A intervenção não só apresentou para as empresas um plano piloto, como já começou a executá-lo, com obras de fresagem e recapeamento, início de uma licitação do projeto para refazer toda a pista da Transoeste, criação de uma diretoria de Segurança e uma força-tarefa para enfrentar o calote e o vandalismo e a fiscalização nas garagens para verificar se há ônibus que possam circular e estão sendo sonegados.

A intervenção aconteceu exatamente porque os passageiros não aguentam mais o péssimo serviço prestado pelo Consórcio BRT. Em apenas 40 dias tambem não se poderia corrigir os inúmeros defeitos da operação.

Luiz Alfredo Salomão

Interventor no BRT

Foto: Divulgação BRT

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