Ex-interventor diz que infraestrutura do BRT está deteriorada

O ex-interventor da Prefeitura no sistema BRT, Luiz Alfredo Salomão, destacou a deterioração da infraestrutura, a redução da frota, o vandalismo nas estações e a falta de um processo licitatório para a concessão, como as principais irregularidades na operação do modal . Salomão disse ainda que a sugestão do prefeito Marcelo Crivella (PRB) de inaugurar o corredor Transbrasil até dezembro é “irreal”. Para o ex-interventor, a ideia seria um “desastre” semelhante ao que ocorreu na Transoeste, que tem um fluxo de 235 mil passageiros, muito maior do que os 135 mil previstos.

As conclusões fazem parte do relatório apresentado, nesta quarta-feira (14/08), na audiência da Comissão Especial da Câmara Municipal do Rio, criada para acompanhar os resultados da intervenção no BRT.

Segundo Salomão houve falhas também no projeto e de execução da obra, sendo o principal calcanhar de Aquiles a Transoeste. “A pista de asfalto foi feita em terreno inadequado, com argila mole embaixo, com muitos lençóis freáticos. Nós a recuperamos, mas isso vai durar seis meses no máximo. É dinheiro do contribuinte que vai ser gasto em um projeto equivocado e feito às pressas”, ressalta.

O ex-interventor  citou a precariedade das estações, que estão se deteriorando ao longo do tempo, ocupadas por moradores de rua e pelo tráfico. “No ramal da Avenida Cesário de Melo, tem 22 estações que foram abandonadas e vandalizadas”, disse.

Medidas do acordo

O acordo feito pela Prefeitura que encerrou a intervenção, transferindo para o Rio Ônibus a administração do consórcio BRT, foi anunciado pelo prefeito Marcelo Crivella, em 29 de julho. Segundo a negociação, os empresários de ônibus terão que formar uma sociedade específica para gerir o BRT. Crivella disse que o grupo se comprometeu a reabrir as estações da Avenida Cesário Melo; investir R$ 6 milhões por ano na segurança e policiamento do sistema; investir R$ 18 milhões por ano na reforma das estações; recuperar 90 ônibus que estão fora de operação; adquirir 150 novos ônibus para o Corredor Transbrasil, previsto para ser inaugurado em dezembro.

O presidente da Comissão, vereador Átila Nunes demonstrou preocupação com o acordo feito entre o município e o Rio Ônibus. “Queremos entender como ficará a parte jurídica. Dentro de um novo acordo realizado pela Prefeitura, quais são os compromissos de fato assumidos? Caso não haja esse aumento da frota, nem a melhoria nas estações, o que poderá acontecer? Isso não ficou claro”, questionou.

A Comissão Especial pretende agora realizar diligências, indo até as estações do BRT para ver quais alterações prometidas no sistema já estão sendo realizadas.

Foto: Divulgação/ Câmara Municipal do Rio.

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