Pandemia aprofunda crise no sistema de transporte por ônibus

Com o objetivo de compensar a queda do número de passageiros, por causa do risco de contágio do coronavírus, o Sindicato das Empresas de Ônibus (Rio Ônibus) determinou um rodízio de rodoviários com redução de salário. Também em crise devido à diminuição de receita, o BRT afirmou que corre o risco de parar até quarta-feira (25/03).

O Sindicato dos Rodoviários e o Rio Ônibus assinaram um termo aditivo à convenção coletiva de trabalho, que prevê a dispensa não remunerada por dez dias dos funcionários, que resultará na redução de um terço do salário. O acordo assegura pagamento integral de vale-alimentação e vale-transporte. O Rio Ônibus informou que as empresas se comprometem a não promover demissões — salvo em faltas graves.

Já o BRT Rio enviou ofício para o secretário municipal de Transportes, Paulo Cesar Amendola, alertando que o consórcio pode fechar as portas. “No prazo de 48 horas, caso não sejam adotadas medidas emergenciais para salvaguarda do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, as empresas de transporte não vão sobreviver à pandemia”, diz.

O documento afirma que “uma obrigação inexequível de trafegar com um quantitativo menor de passageiros” levou “em poucos dias à liquidação do caixa do BRT”. O BRT cita ainda a ajuda do governo federal a empresas aéreas, “que igualmente têm sido afetadas pelas restrições”.

Em outro trecho do ofício, o Consórcio pede a ajuda financeira da Prefeitura: ”Por fim requer-se (…) que seja ponderada pelo município a utilização do Fundo de Mobilidade Urbana de modo a mitigar o desequilíbrio econômico financeiro vivenciado pelas operadoras e garantir a continuidade do serviço por ônibus durante e depois desse momento excepcional”, diz o documento.

Em resposta ao pedido, o prefeito Marcelo Crivella disse ao jornal Extra nesta segunda-feira (23/03) que orientou a Secretaria de Transportes para que faça os estudos em relação à ponderação do equilíbrio econômico financeiro. Mas revelou ainda que o caso está no Tribunal de Justiça. De acordo com o prefeito, foram tomadas as medidas devido ao consenso majoritário da comunidade científica do Rio de Janeiro que recomenda evitar aglomerações nos ônibus, em pé. “É um momento de maior risco”, disse o prefeito.

Foto: Divulgação

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