Empresas de ônibus têm prejuízo de R$ 843 milhões, na pandemia

Em entrevista ao site Diário do Transporte, nesta quarta-feira (27/05), o presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetrnaspor), Armando Guerra, alerta para as perdas financeiras das empresas de ônibus, em dois meses e dez dias de isolamento social. Segundo Guerra, as empresas de coletivos do estado do Rio tiveram prejuízo de R$ 843 milhões e queda de demanda de 213 milhões de passageiros durante o período de restrição da circulação, para conter a propagação do coronavírus.

De acordo com o presidente da Fetranspor, o grande problema para o retorno das operações, previstas para junho, tem sido o capital de giro. “A gente não consegue saber quais as empresas vão conseguir fazer essa retomada de operação. Nós vamos ter problemas de capital de giro, porque o prejuízo sofrido nestes dois meses e dez dias sob a pandemia nos trouxe uma perda de receitas de R$ 843 milhões”, disse Armando Guerra. Ele explicou ainda que o principal entrave vai ser a exigência por parte de fornecedores de insumos básicos para operação para que as compras sejam à vista.

“A grande maioria das empresas está operando com capacidade baixíssima. Pararam de pagar os seus fornecedores, de combustível, peças e pneus. As dívidas estão paradas. Quando retomar, os fornecedores vão exigir o pagamento antecipado. Como as empresas não estão faturando, alguém vai ter de dar esse dinheiro inicial para comprar óleo, pagar peças, manutenção, a higienização e limpeza. Essa retomada da roda é que vai ser perigoso”, explicou Guerra.

Outra preocupação das empresas sobre o retorno é com o nível de ocupação máxima permitida nos ônibus para evitar aglomeração de pessoas e ampliar o risco de contágio pelo novo coronavírus. Guerra disse que as empresas devem se reunir com o governo do estado para decidir o assunto. Segundo Guerra, se for autorizada uma lotação de até 75% da capacidade de cada veículo, as operações serão viáveis. “Se o Governo obrigar a trabalhar com 50% de ocupação, apenas com passageiros sentados, nós podemos ter uma operação deficitária”, argumentou.

Guerra comentou que o setor de transportes tem encontrado dificuldades para obter financiamentos, observando uma espécie de empurra-empurra. “Corremos para o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] que mandou para o banco privado, o banco privado mandou para o BNDES e acabou não saindo nada. Fomos também ao Ministério da Economia em busca de recursos orçamentários, mas o ministério entende que os recursos estão incluídos nos R$ 60 bilhões para Estados e municípios e R$ 70 bilhões de postergações de suas dívidas. Mas no caso do Rio de Janeiro nós temos um problema, o Estado do Rio não estava pagando os empréstimos nos últimos dois anos e meio. Então o Rio só ficou enquadrado nos R$ 60 bi e o Ministério estima que destes R$ 60 bi, apenas de R$ 2,1 bi a R$ 2,4 bi fiquem para o Rio, esses recursos são insuficientes para pagar os salários do funcionalismo”, explicou.

Uma das soluções pode vir do Congresso Nacional que analisa o Projeto de Lei que cria o Programa Emergencial Transporte Social para todo o país pelo qual o governo federal compraria passagens de transportes e distribuiria para beneficiários de programas sociais durante o estado de calamidade pública do Covid-19.

Dificuldade antes da pandemia

Armando Guerra ressaltou ao Diário do Transporte que o setor no Rio já enfrentava dificuldades antes da pandemia. Só na capital, nos últimos três anos, 14 empresas fecharam e agora, com a crise da Covid-19, o setor pode entrar em colapso e não está descartado o risco de encerramento de atividades de outras companhias de ônibus.

Atualmente, a Expresso Pégaso, Auto Viação Palmares, a Paranapuan Transportes, e o grupo da Real Auto Ônibus entraram em recuperação judicial.

Segundo a Fetranspor, com base nos dados da bilhetagem da RioCard, a perda de demanda dos transportes nestes dois meses e dez dias de pandemia varia de acordo com o meio de transporte: Ônibus, 67%; Metrô, 79%; Trens, 59%; Van, 46%; VLT, 90%; Barcas, 67%; Kombi, 42%.

No caso dos ônibus no Estado, o destaque foi para os intermunicipais devido às medidas de restrição dos transportes entre as cidades, com queda de 75% da demanda.

Guerra ainda destacou que muitas destas proibições estão abrindo margem para o transporte clandestino. Nesta terça-feira, por exemplo, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Passageiros de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) informou que apenas na região cerca de dois mil rodoviários perderam os empregos.

Foto: Divulgação

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