Transportes públicos podem deixar passageiros a pé

Os trens, o metrô e os ônibus podem parar de circular devido à crise causada pela queda de arrecadação na pandemia. A SuperVia anunciou que pode suspender a operação em agosto. O MetrôRio e a Fetranspor disseram que só têm condições de garantir o serviço até setembro, caso não haja socorro financeiro or parte do governo estadual e federal.
Segundo a Fetranspor, o número de viagens nos ônibus caiu 71% de março a junho, o que, significa um prejuízo de R$ 713 milhões, podendo chegar a mais de R$ 1 bilhão até o fim do ano. Nas últimas três semanas, contudo, houve recuperação de 19% nas viagens.
O presidente da Fetranspor, Armando Guerra Júnior explicou ao jornal O Dia que são 184 empresas de ônibus e pelo menos 50% delas não vão conseguir iniciar o ano que vem sem ajuda. “Mas já em setembro muitas terão dificuldades para pagar salários. É uma data crítica”, detalhou Guerra Júnior.
Armando acrescentou que, além de um aporte financeiro, o auxílio do governo estadual poderia ser viabilizado por medidas como isenção das taxas de licenciamento do Detran e das alíquotas de ICMS sobre o óleo diesel, postergação do pagamento de IPVAs dos veículos, entre outros. Todas essas solicitações já foram feitas pela empresa, mas não foram atendidas por Wilson Witzel. “A situação do estado está tão crítica que eles não são capazes de atender o mínimo. Nossa grande expectativa é de repasses por parte do governo federal para o sistema de transporte público nacional”, disse ele.
Dados da federação mostram, ainda, queda de 82% em viagens nas barcas. Em todos os modais, são menos 435 milhões de passageiros nas 16 semanas de isolamento. A Secretaria Estadual Transportes do Rio negocia com a União uma medida provisória para auxílio às empresas.
Metrô tem déficit de R$ 150 milhões
O MetrôRio estima que pelo menos 60 milhões de passageiros deixaram de embarcar nos trens desde 16 de março, devido às medidas de restrição impostas pelo coronavírus. O prejuízo mensal gira em torno de R$ 35 milhões. “No total, nosso déficit acumulado é de R$ 150 milhões. Nos últimos dias, mesmo com a flexibilização, a queda de passageiros continua elevada, em 73%. Essa é a situação mais difícil da história da empresa”, destacou Guilherme Ramalho, presidente do MetrôRio, ao jornal O Dia.
Guilherme Ramalho disse que o metrô é um serviço caro, dimensionado para transportar muita gente e com um custo fixo. “Para operar um trem vazio, temos praticamente o mesmo gasto de um trem cheio. E diferente de outros estados, o metrô no Rio depende exclusivamente da tarifa”, disse Ramalho. “O caixa da empresa acaba em agosto. Temos dois meses para encontrar uma solução e estamos com todos os esforços direcionados para isso. Sem uma ajuda financeira nesse prazo, vamos ter dificuldades de honrar nossos compromissos e manter a operação. A consequência, depois disso, é a inviabilização do sistema”, alertou.
Supervia tem prejuízo de R$ 120 milhões
A empresa informou que redução de passageiros na pandemia provocou um prejuízo que pode chegar a R$ 120 milhões. Ainda de acordo com a concessionária, os salários de funcionários e os pagamentos de fornecedores podem ser afetados já em agosto.
Segundo o presidente da Supervia, Antônio Carlos Sanches, em quatro meses a concessionária perdeu 30 milhões de passageiros, que equivalem a R$ 102 milhões de receitas. No período mais crítico da pandemia baixou de 600 mil passageiros para 180 mil. Com a flexibilização, atualmente, a Supervia transporta 280 mil pessoas.
“Se isso se mantiver, inviabiliza a operação. Existe um risco de colapso financeiro, no mês de agosto. Tivemos várias iniciativas junto aos governos estadual e federal para buscar um apoio, mas até agora não tivemos nenhuma atuação concreta. A questão do caixa é uma questão de curto prazo, precisamos desse apoio financeiro rapidamente”, disse Sanches, ressaltando que o limite para evitar a paralisação é o final do mês de agosto
Na quinta-feira (09/07), a concessionária tem uma reunião na Casa Civil, junto com o Metrô Rio, para discutir medidas que possam ajudar a enfrentar essa crise financeira. O governo deve apresentar alternativas e propostas para evitar o colapso no serviço.
Secretaria de Transportes negocia com Ministério da Economia
O governo do estado disse que, por conta das restrições e dificuldades e ajudar financeiramente os operadores, a Secretaria Estadual de Transportes , em conjunto com as secretarias de transportes de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, está buscando apoio do governo federal por intermédio do Ministério da Economia. Segundo o estado, se o transporte público urbano reduzir suas operações, a retomada da economia será fortemente comprometida.
A Secretaria Estadual de Transportes disse ainda que essa é a pior crise nos transportes públicos dos últimos 50 anos e que essa realidade não é exclusiva do Rio de Janeiro, mas do mundo inteiro. A Setrans disse também que as empresas de transporte – trem, metrô, barca e ônibus – precisariam de um suporte financeiro entre R$ 80 milhões e R$ 120 milhões mensais, por até um semestre, para manter as atividades.
“Não é apenas uma ajuda econômica, queremos aproveitar o momento para uma reestruturação, para um transporte público com mais eficiência, transparência e redução dos preços das passagens”, afirmou o secretário estadual de Transportes, Delmo Pinho ao Jornal O Dia.
Foto: divulgação

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