Rodoviários rejeitam proposta de redução de salários e benefícios

Rodoviários de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá entraram, nesta quarta-feira (12/08), no terceiro dia de assembleias da categoria rejeitando a proposta patronal de pagamento de 50% dos salários e redução no valor da cesta básica, que passaria de R$ 280 para R$ 120. As medidas foram adotadas pelas empresas para compensar a queda no faturamento provocada pela pandemia da Covid-19.  Embora ainda faltem cinco dias de assembleias, que ocorrerão até 19 de agosto, segundo o Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac), se esses resultados forem mantidos, não está descartada a possibilidade de uma greve. “Se isso acontecer, todos os procedimentos legais serão adotados, inclusive com uma prévia comunicação às autoridades e, acima de tudo, à população”, afirma o presidente do Sindicato, Rubens dos Santos Oliveira.

As assembleias foram convocadas pelo Sintronac para definir o posicionamento dos rodoviários diante de uma requisição do Ministério Público do Trabalho (MPT). O órgão, que também é mediador nas relações trabalhistas, solicitou ao sindicato uma resposta à proposta de classe patronal de redução salarial e de benefícios. As concessionárias de ônibus alegam que estão com apenas 60% de seu faturamento e algumas com 30%, portanto, não têm como arcar com suas folhas salariais.

Em abril, acordo firmado entre o Sintronac e as empresas garantia estabilidade no emprego, benefícios e o pagamento de 30% dos salários, enquanto os 70% restantes eram compensados pelo auxílio emergencial do Governo Federal. Segundo o Sindicato, em 31 de julho, o auxílio foi suspenso e não há aceno, até agora, por parte de Brasília, de sua manutenção.

O Sindicato disse que desde março tem solicitado, sem sucesso, reuniões com os governos federal e estadual e as prefeituras de sua área de atuação, além das empresas, pois já estava claro que ocorreria, com a pandemia, uma grave crise no transporte público, já debilitado pelo desaquecimento da economia, que gerou demissões em massa em vários setores e terminou por diminuir o número de passageiros.

“É o caso típico de uma tragédia anunciada. Se cortarem os salários dos rodoviários, como poderemos sobreviver? Se ocorrerem demissões, quem atenderá a população em um transporte público, que, pela Constituição, é um direito social? Em nossa base, durante a pandemia, 2 mil foram demitidos, mesmo com o acordo firmado com as empresas. Isso representa algo em torno de 25% das demissões do setor rodoviário em todo o país nesse período. A indignação da categoria é grande”, conclui Rubens Oliveira.

Para evitar ao máximo aglomerações durante a pandemia, as reuniões foram divididas em grupos de empresas e estão sendo realizadas em dois turnos, às 10h e às 16h, em espaço aberto na sede social do Sintronac, no bairro do Sapê, Niterói. Há medição de temperatura em todos que acessam o local e o uso de máscaras e álcool em gel é obrigatório.

Foto: Divulgação

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