Covid-19: Aglomerações no sistema BRT preocupam motoristas

A mutação do coronavírus, que pode ser mais contagiosa, preocupa os 21 mil motoristas e cobradores de ônibus do Rio. Diante disso, o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro, José Carlos Sacramento, vai procurar a secretária de Transportes, Maína Celidonio, ainda esta semana, para discutir e propor medidas que reduzam e controlem as aglomerações nas plataformas dos BRTs. A falta de distanciamento dos passageiros aumenta a possibilidade de contágio não só dos usuários, mas também dos profissionais da categoria.

Sacramento quer discutir ainda, entre outros assuntos, a falta de segurança nas plataformas, a não higienização e desinfecção dos ônibus nas garagens e nos pontos finais, além de não haver, semanalmente, a distribuição de máscaras e álcool em gel para os motoristas e trocadores.

 “Não dá mais para aceitar o que vem ocorrendo. Na antiga administração a cada hora o prefeito dizia uma coisa; ou era para os ônibus circularem com as janelas abertas, que não se podia transportar passageiros em pé e que só poderia utilizar o ônibus os usuários que estivessem com máscara. Nada disso deu certo por não ter uma fiscalização eficaz”, critica Sacramento.  

O vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários lembra ainda, que ficou sob a responsabilidade dos rodoviários cobrar o uso de máscara dos passageiros nos ônibus. “Na verdade, essa é uma função da Guarda Municipal ou da Polícia Militar. Motorista não tem poder de polícia”, reclama Sacramento.

José Carlos vai sugerir que a secretária crie uma comissão mista composta por representantes do sindicato, da prefeitura, da Câmara Municipal e de representantes da sociedade, com o objetivo percorrer as empresas, os pontos finais de ônibus e as plataformas do BRT, para verificar se estão sendo cumpridas as normas de higienização.

Lei obriga a higienização dos transportes

Sancionada em maio do ano passado, a lei nº 8.801 de autoria do deputado Dionísio Lins (Progressista), presidente da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa, obriga as concessionárias de transportes públicos a realizar diariamente quando saem das garagens e nos pontos finais, a desinfecção e a limpeza de seus veículos para contenção da pandemia do coronavírus. Para o autor da lei, a higiene dos meios de transportes, juntamente com o uso de máscaras e o isolamento, é de fundamental importância e uma das principais armas no combate ao Covid 19.

“É importante que haja uma conscientização muito grande do risco de contaminação pelo vírus, pois só no Rio de Janeiro houve um aumento de 47% no número de óbitos. Para se ter uma ideia, temos hoje mais de 400 mil casos de Covid 19 na cidade com aproximadamente 25 mil mortos e, com certeza, um transporte público inadequado e sem uma fiscalização rígida contribui para o aumento da transmissão. É importante que tenhamos atenção com o setor, principalmente com os ônibus, que são muitos utilizados pela população”, alerta Lins.

Segundo o parlamentar, a categoria registrou 141 casos de Covid-19, com 39 óbitos em 37 empresas que ainda circulam na cidade.

A lei determina que as empresas que não cumprirem os procedimentos exigidos, estarão sujeitas a advertência e multas de R$ 1.775,00 (na primeira reincidência), R$ 3.550,00 (na segunda reincidência) e R$ 17.750,00 (a partir da terceira reincidência). Além disso, elas também poderão ter suas concessões suspensas ou até cassadas.

Foto: Divulgação

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