O calvário dos usuários do Jaé

A poucos dias para o fim da transição para o Jaé, uma expressiva parcela de empresas do Rio ainda não migrou os cartões de vale-transporte. Se isso não acontecer até o dia 2 de agosto, quando começará a operação exclusiva nos transportes municipais do novo cartão, milhares de trabalhadores serão prejudicados.

Enquanto isso, o prefeito Eduardo Paes se desdobra para justificar o mau funcionamento sob todos os ângulos do Jaé, com encontros junto a grupos e diversos stakeholders para explicar os motivos pelos quais existem deficiências a serem resolvidas no contexto da nova bilhetagem digital. Na verdade, Paes não aceita que existam problemas. Ele desdiz e renega toda e qualquer incompetência ou dificuldade na operação do Jaé.

Nessas andanças de Paes, o que ninguém repara, ou pelo menos o que ninguém diz, é que o prefeito, indiretamente, se tornou um garoto propaganda da Autopass – a empresa que assumiu a gestão do novo cartão. O Jaé não pertence à Prefeitura, mas à concessionária Autopass, que tem, a partir das vendas do cartão, um aumento crescente da sua rentabilidade. Se o Jaé dá certo, a Autopass ganha cada vez mais dinheiro.

Mas a população, que pouco conhece o imbróglio da Autopass, sente as agruras do dia a dia. Um exemplo que pode ser dado é o da postagem nas redes sociais feita pela fundadora da RH Raiz Consultoria, Thaiane Malheiros, que começa dizendo: “Alô RH! Até quando a gente vai aguentar calado o caos do Jaé?”. E continua: “Você também é RH e está passando sufoco com o Jaé? Então, vem comigo porque essa revolta é nossa”.

Thaiane é uma personagem síntese do sentimento em relação ao Jaé. Suas reclamações estão espalhadas por milhares de cariocas nas redes sociais. Ela elenca uma lista extensa de todas as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de RH, como por exemplo cartão que não chega, que não desbloqueia, aplicativo que não funciona, conta que não vira para vale-transporte, recarga que some ou que demora até cinco dias úteis para cair. Ela diz ainda que cada pedido de recarga gera uma taxa de 4%, que antes não existia no Riocard. “Ou seja, agora as empresas pagam mais por um serviço que funciona menos”, conclui.

Thaiane reclama que a responsabilidade para fazer a transição do Riocard para o Jaé foi jogada no colo dos profissionais de RH sem que houvesse um preparo ou suporte. Thaiane termina a postagem dizendo: “Não é mais sobre vale-transporte. É sobre respeito. O Jaé não respeita o tempo do RH. Não respeita a logística da empresa. Não respeita o trabalhador que precisa do transporte para chegar ao seu posto. E, principalmente, não respeita quem está tentando resolver um problema que não criou”.

O desabafo mostra o quanto o prefeito quer impor uma bilhetagem que até agora não entregou o que prometeu – transparência e eficiência. Não seria melhor colocar os dois sistemas – Riocard e Jaé – à disposição da população e as pessoas escolhessem qual deles usar?

Democracia, prefeito! É isso.

Foto: Divulgação

*Editorial

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