Falhas do Jaé persistem após quatro meses da implantação do sistema
O sistema de transporte público da Cidade do Rio passou por transformações que melhoraram a mobilidade urbana, um exemplo disso é a renovação da frota do BRT, com ônibus modernos e confortáveis . Entretanto, na mudança do sistema de bilhetagem digital, não foram alcançados os objetivos anunciados pela Prefeitura em relação à transparência e eficácia do serviço.
O vereador Pedro Duarte (Novo), que acompanha a implantação do Jaé desde a licitação da bilhetagem, faz críticas a esse processo. Logo no início com a venda do Consórcio Bilhete Digital, vencedor do certame, para a Autopass, que ficou em quarto lugar.
O parlamentar observa que o número de reclamações sobre o mau funcionamento do cartão chama a atenção. O site Reclame Aqui registrou mais de 9 mil queixas em seis meses. “Podemos até entender que na transição houve dificuldades. Só que o mais preocupante é que os problemas não ficaram limitados a esse momento da implementação e da transição”, comenta.
Para apurar as possíveis irregularidades no funcionamento da bilhetagem, o caminho seria instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Entretanto, para abrir uma CPI na Câmara do Rio são necessárias 17 assinaturas de vereadores e, como a base do governo é muito grande, a oposição não atinge o número de adesões necessárias para abrir uma CPI.
“Infelizmente, esse caminho da via legislativa aqui na Câmara Municipal é muito difícil. O que fiz foi fiscalizar e levar os casos para imprensa. Tivemos denúncias de grande repercussão. Oficiei também o Ministério Público estadual e a Secretaria Municipal de Transportes”, disse.
Não houve ainda resposta do MPRJ e da Secretaria. As denúncias estão sendo apuradas apesar de os órgãos não terem prazo legal para responder os requerimentos.
Na época da transição dos sistemas, Duarte fez vistorias para conferir os pontos de recarga do Jaé, que constavam no aplicativo do cartão e os locais onde a população pudesse ter acesso ao cartão. “Nós fomos a muitos desses pontos de recarga e eles não existiam ou não funcionavam”. Segundo o vereador, no caso, por exemplo, de algumas bancas de jornal, os jornaleiros sequer sabiam que eles estavam listados no site como pontos de recarga, não sabiam nem da existência do Jaé. “Teve muito amadorismo nesse processo”, completa.
As falhas continuam mesmo já tendo se passado vários meses desde o início da operação exclusiva do Jaé nos transportes municipais. O sistema muitas vezes sai do ar, o QR Code para de fazer a leitura, as pessoas colocam o crédito e o crédito some, há denúncias de fraudes e clonagem dos cartões, descontos indevidos etc. “Isso mostra que existem ali, no mínimo, problemas operacionais graves”, destaca.
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