Presença de Criminosos de Outros Estados em Morros e Favelas do Rio de Janeiro
Uma operação conduzida pela Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), nesta segunda-feira, no Morro do Vidigal, na Zona Sul do Rio, teve como objetivo prender o traficante Ednaldo Pereira Souza, de 38 anos, conhecido como “Dada”. A ação evidenciou a presença de criminosos de outros estados nas favelas cariocas. Dada é considerado pelo Ministério Público da Bahia e pela Secretaria de Segurança baiana como líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), que atua no sul da Bahia e mantém alianças com o Comando Vermelho (CV). Durante a operação, o suspeito fugiu ao escapar por uma passagem secreta em uma residência de luxo.
Segundo informações policiais, Dada estava escondido na Rocinha. Ele alugou uma casa de alto padrão no Vidigal para aproveitar o feriado de Tiradentes, junto de familiares e amigos. Na segunda-feira, a polícia localizou o imóvel, que possuía piscina e vista para o mar, em uma área elevada próxima à mata na comunidade. Houve troca de tiros, e o suspeito conseguiu fugir. Como consequência, um grupo de aproximadamente 200 turistas que assistia ao nascer do sol ficou “ilhado” no mirante do Morro Dois Irmãos, por cerca de meia hora. Ninguém ficou ferido na ocasião. Apesar da fuga de Dada, que possui oito mandados de prisão ativos, três pessoas de outros estados foram presas na ação.
Dentre elas, está Patrick Cesar Tobias Xavier, conhecido como “Bart”. Ele foi detido com mochilas contendo drogas, roupas camufladas e rádio comunicador, além de apresentar documentos falsificados ao ser abordado. Bart tinha um mandado de prisão expedido pela Justiça de Goiás e era considerado foragido, integrando o projeto de captura do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que monitora indivíduos de alta periculosidade ligados ao crime organizado.
Outro detido foi Christian Fernandes Rodrigues da Silva, natural de Minas Gerais, preso em flagrante portando um fuzil Colt calibre 5,56 e uma pistola Canik calibre 9 mm com numeração raspada. Além dele, Núbia Santos Oliveira foi presa com base em mandados de prisão pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ela é apontada como operadora financeira do PCE na Bahia, responsável pela gestão de recursos ilícitos e pelo suporte logístico à organização, mantendo ligação direta com lideranças do crime. Segundo informações da Polícia Civil, Núbia seria esposa de um dos líderes do Comando Vermelho na Bahia, Wallas Souza Soares, conhecido como “Patola”. Há mandados de prisão contra ela emitidos pelo Tribunal de Justiça da Bahia.
A atuação de criminosos de outros estados no Rio de Janeiro é histórica. Em abril de 2024, o jornal O Globo revelou que pelo menos 101 criminosos vindos do Pará, Amazonas, Bahia, Goiás e Paraíba estavam escondidos em comunidades cariocas, conduzindo operações remotas e cobrando taxas de comerciantes locais. Essas taxas podem chegar a R$ 100 mil mensais na Rocinha, por exemplo, revelando uma prática de extorsão e controle financeiro sobre as comunidades.
Em uma operação realizada em outubro de 2025, nas comunidades da Penha e do Alemão, na Zona Norte, ocorreram confrontos armados que resultaram na morte de 122 pessoas, incluindo cinco policiais. Entre os suspeitos mortos, pelo menos 40 eram de outros estados. Foram presos 113 indivíduos, 33 deles oriundos de diferentes regiões do país, reafirmando a presença de redes interestaduais de crime organizado na cidade.
