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João Traven, de 64 anos, é uma presença constante nas provas da Maratona do Rio. Ele não participa correndo, mas chega cedo ao evento, muitas vezes chegando na madrugada. Quando a corrida começa, está na garupa da primeira moto que lidera o percurso, responsável por controlar o evento. Diretor da Spiridon, ele é o idealizador e organizador da Maratona do Rio, que desde sua primeira edição se tornou o maior festival de corrida de rua da América Latina.

A 24ª edição do evento começou na última quinta-feira na cidade, com a principal prova de 42 km prevista para domingo. Neste sábado, acontece a corrida de 21 km.

— Meu sonho é vê-la integrante das maratonas major — comenta Traven, referindo-se às principais maratonas do mundo, como Nova York, Chicago, Berlim e Londres.

A ideia de realizar uma maratona no Rio nasceu em 1988, após Traven participar da Maratona de Nova York, evento que o inspirou a criar uma prova similar na cidade. Embora o Rio já tivesse uma maratona, ele acreditava que não tinha o mesmo nível de organização ou prestígio. O projeto levou anos para se concretizar, só saindo do papel em 2003.

Desde então, Traven participou de cerca de 20 edições da Maratona de Nova York e organizou mais de 20 edições da Maratona do Rio. Sua paixão pelo esporte começou com seu cachorro Barney: ele iniciou correndo para perder peso, na companhia do pet.

— Quando dei a primeira volta da Lagoa com amigos, quis mais. O bichinho da corrida me pegou — relembra.

Hoje, Traven corre pouco e prefere caminhar, fazer musculação e hidroginástica para manter o corpo ativo. Ele continua passeando com seu atual cachorro, uma pug chamada Princesa. Sua última corrida foi a Corrida do Time Brasil, no ano passado, de 5 km, no Parque Olímpico.

— Nem lembro mais da Maratona do Rio. É anterior à época em que comecei a organizar. Me inscrevo todo ano nos 5 km e não consigo participar (risos).

Na entrevista, ele narra como tudo começou, falando sobre os tempos em que não se vendiam tênis importados no Brasil. Com planos de expandir o alcance da maratona, que poderia se tornar uma das principais no mundo, ele revela também suas experiências e sonhos para o evento.

Traven começou a correr aos 19 anos, quando era bastante above peso e buscava emagrecer. Morando em Ipanema, levava seu cachorro Barney para passear e lentamente começou a correr após perceber que o pet aguentava mais do que ele. Em cerca de seis meses, ele conseguiu acompanhar Barney na corrida.

A partir daí, a paixão cresceu. Sua primeira competição foi a Corrida da Ponte Rio-Niterói, em 1981, com 21 km. Logo depois, passou a treinar para maratonas, acompanhando provas antes de se lançar na distância.

A luta contra a balança fazia parte de sua história, e ele conta que cada quilo perdido melhorava seu desempenho na corrida. O sonho de organizar uma maratona no Rio surgiu após participar da Maratona de Nova York em 1988, quando viu o tamanho da grandiosidade do evento. Em 1992, fundou a Spiridon, projeto que daria origem à Maratona do Rio apenas em 2003.

A demora na realização da prova se deu por dificuldades de patrocínio e pela existência de outra maratona na cidade. Durante os anos de 2000 a 2002, nenhuma organização conseguiu realizar a corrida, mas a Spiriton aproveitou essa lacuna e concretizou a competição, que desde então se mantém anual.

Ao longo do tempo, Traven correu diversas maratonas internacionais, com destaque para as 20 participações na Maratona de Nova York. Sua experiência influenciou sua vontade de criar uma prova à altura, uma maratona que pudesse rivalizar com eventos mundialmente reconhecidos.

Ele relembra a evolução do evento na cidade, destacando as mudanças nos percursos, nos equipamentos de cronometragem e na logística. Nos primeiros anos, a organização era manual, com chips descartáveis e tempos marcados por cronômetros manuais. Hoje, o evento conta com tecnologia avançada, maior infraestrutura e um alcance maior, crescendo em número de participantes e espectadores.

Apesar de todo o crescimento, Traven mantém o desejo de que a Maratona do Rio seja uma das maiores do mundo, com planos de melhorias nos percursos e na estrutura, buscando até mesmo o reconhecimento como uma das maratonas major.
Ele também fala sobre as dificuldades enfrentadas, incluindo problemas com infraestrutura, como banheiros e marcações, e a necessidade de aprimorar a organização.

Seu sonho é ver a prova se consolidar como uma maratona major, e ele acredita que, com esforço contínuo, isso será possível. Além disso, reconhece o impacto positivo de grandes recordes como o de Sebastian Sawe em Londres, que elevam o prestígio do esporte.

Traven é uma figura admirada no mundo do running, reconhecido por sua dedicação e paixão. Ele é recebido com entusiasmo na rua durante as provas, onde seu trabalho e história são reconhecidos pelos participantes e pelo público.

Apesar das críticas eventuais, sua dedicação em oferecer uma prova cada vez melhor é constante, e ele busca aprender com cada experiência para aprimorar o evento. Sua trajetória é marcada por uma paixão pela corrida, um sonho de crescimento e o orgulho de ver o seu sonho, a Maratona do Rio, cada vez mais próximo de alcançar o destaque mundial.

A Paixão, a História e os Sonhos por uma Maratona Major no Rio

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