Trocar o transporte público coletivo por viagens pelo aplicativo de motocicleta pode resultar em morte ou sequelas para o resto da vida. Em unidades como o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, aproximadamente 90% dos atendimentos da ala ortopédica estão relacionados a acidentes com o veículo. Esse fato alarmante, que pode ser comparado a uma epidemia, faz parte da pesquisa do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ “Motivações e racionalidades na escolha pela motocicleta como meio de transporte individual na Região Metropolitana do Rio de Janeiro”.
No estudo apresentado no evento Rio de Transportes 2025, que ouviu 2.616 motociclistas, a maioria reconhece os riscos associados ao uso do veículo, mas ponderam que fatores como tempo de deslocamento e previsibilidade da viagem pesam na hora de optar por esse tipo de corrida. Esses usuários ignoram as consequências de suas escolhas. Para eles, é preferível chegar mais rápido que inteiro.
Dados do Corpo de Bombeiros, utilizados na pesquisa da Coppe/UFRJ, indicam que 77% das ocorrências de trânsito atendidas envolvem motociclistas, resultando em cerca de 80 feridos por dia encaminhados a hospitais municipais.
As informações da pesquisa da Coppe/UFRJ deveriam subsidiar políticas públicas para esclarecer a população sobre segurança nos deslocamentos. Por exemplo, o tempo gasto e o valor pago para ir da Praça XV para a Central do Brasil é praticamente o mesmo de VLT ou de moto por aplicativo. A diferença é que o VLT oferece muito menos risco de acidente.
Em 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) gastou cerca de R$ 223 milhões com internações de vítimas de acidentes envolvendo motocicletas, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base no DataSUS.
Entretanto, o incentivo para o uso do transporte público deve vir acompanhado de medidas para melhorar o serviço da parte do poder executivo e dos operadores. As soluções envolvem a demarcação de corredores exclusivos e faixas preferenciais para os ônibus; o aumento da frequência e da cobertura nos bairros; pontualidade, climatização e, por fim, a integração física e tarifária que diminui o tempo de deslocamento e os custos de viagens mais longas, que exigem o uso de mais de um modo.
Foto: Reprodução da internet.



