O aplicativo do Jaé deu pane na noite desta quinta-feira (17/07), obrigando os passageiros a usar o PIX para viajar nos ônibus municipais, BRT, VLT e vans. A plataforma não aceitava pagamentos nem a recarga dos cartões. A instabilidade aconteceu entre no fim da tarde e início da noite, no horário de maior movimento nos transportes.
A principal dificuldade foi na geração do QR Code. Na tela dos validadores aparecia a mensagem de erro de conexão, não permitindo a conclusão das operações. Duas postagens, entre muitas, nas redes sociais, resumiram a indignação e revolta dos passageiros que queriam chegar em casa depois de um dia exaustivo de trabalho; estudo ou aqueles que acabaram se atrasando para os compromissos.
Na rede social X a internauta desabafou: “Eu tô querendo saber como vou voltar pra casa se o jaé nao tá abrindo?”. Outra ironizou o prefeito: “Cadê o CavaliereRio falando do queridinho dele, o Jaé, fora do ar? Uma galera sem conseguir botar dinheiro no cartão, sem conseguir usar o QR code porque o aplicativo simplesmente deu pau”.
O site Estação Rio procurou a Secretaria Municipal de Transportes para saber qual foi a causa da interrupção do serviço, se há relação com a implantação do Rio Rotativo Digital, novo sistema de estacionamento, que usa o Jaé para pagamento; e se o dinheiro gasto no PIX será devolvido aos usuários. Entretanto até o fechamento desta matéria, às 19h30, a pasta não havia respondido às perguntas.
A pane do Jaé provocou um grande transtorno para milhares de usuários, que tiveram de desembolsar um valor a mais para pagar a passagem. Isso se caracteriza como uma cobrança abusiva. A pergunta é: E se a pessoa não tivesse o dinheiro, como voltaria para casa? Poderia viajar de graça? Quem vai arcar com esse prejuízo?
Não poder embarcar por causa de uma falha no Jaé afeta ainda mais a credibilidade do sistema de bilhetagem, que não funciona adequadamente, segundo os usuários. Em seis meses, no site Reclame Aqui, a empresa recebeu 5.823 queixas, sendo que 2.866 foram de descontos indevidos.
Dessa vez, o problema atingiu milhares de pessoas ao mesmo tempo, mas todos os dias os passageiros enfrentam dificuldades para recarregar os cartões, ficam indignados com o sumiço de créditos, ou simplesmente não conseguem embarcar por falha no sistema. A fase de testes do Jaé passou e ele não foi aprovado.
A Prefeitura que deveria fiscalizar a operação do serviço precisa tomar providências. O que ficou evidente é que não há nenhum plano de contingência para minimizar os impactos da paralisação de um sistema essencial para o deslocamento da população, do funcionamento da ordem pública e do direito de ir e vir.
O que aconteceu foi gravíssimo. Entre os milhares de passageiros afetados com interrupção do serviço, havia relatos de desespero por não conseguir chegar ao hospital para visitar parentes, de pegar os filhos na escola, e entrar no horário do trabalho à noite. A confusão invadiu o tecido social da cidade e se continuar assim não haverá garantias que esse caos não se repita na vida das pessoas.
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