Depois de operar a rede ferroviária por 27 anos, a SuperVia encerrou o contrato com o Estado do Rio, deixando dívidas com fornecedores de manutenção, peças e sinalização. Diante do risco de queda na qualidade do serviço, o presidente da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa, deputado Dionísio Lins (Progressistas), vai encaminhar um requerimento de informações à direção da nova operadora TrensRJ, gerenciada pelo Consórcio Nova Via Mobilidade.
No documento, o parlamentar solicita informações sobre quais as responsabilidades que cabem à operadora e quais as do governo estadual, qual o planejamento para quitação dos débitos herdados e para a manutenção preventiva e corretiva da frota, estações e equipamentos nos próximos 6 meses, relação das 14 estações que são consideradas áreas de risco pela empresa e quais ações serão implementadas para coibir assaltos e garantir segurança nas estações e plataformas.
O parlamentar pede ainda que sejam enviados os Planos de Contingência e de Gerenciamento de Crise que devem ser implementados pela empresa em situações de emergência. O objetivo é evitar que os usuários sejam prejudicados por problemas técnicos ou estruturais e que falhas antigas voltem a ocorrer.
“Apesar da TrensRJ não ser uma estatal, ela tem um contrato de permissão assinado e regulado pelo governo estadual. Essa falta de pagamento aos fornecedores já pode ser observada nos equipamentos que não estão em funcionamento, como as escadas rolantes das estações de Madureira e Méier, na Zona Norte. Para se ter uma ideia, somente em maio esse valor chegava perto dos R$ 15 milhões. Isso sem falar da dívida de R$ 1,9 bilhões com o BNDES”, disse.
Outro ponto levantado pelo parlamentar é a violência nas 104 estações da malha de 270 km administrada pela concessionária. Segundo dados da própria TrensRJ, cerca de 14 estações estão sob domínio do crime organizado, já que a linha férrea corta 179 comunidades controladas por esses grupos.
“Não podemos deixar que os mesmos problemas que atingiam anteriormente os usuários voltem a acontecer, como assaltos nas plataformas e atrasos diários das composições, além do transporte de usuários como gados em vagões sujos e sem iluminação, principalmente nos ramais que atendem a Baixada Fluminense. Tenho certeza que o atual governo está atento à situação e que irá intervir sempre que necessário”, explicou.
A Comissão de Transportes da Alerj vai acompanhar de perto a transição e cobrar do Estado e da nova concessionária medidas para garantir a continuidade e a qualidade do serviço prestado aos milhares de usuários diários. Caso necessário, o parlamentar irá criar um grupo de trabalho do Legislativo para percorrer as estações e fiscalizar os investimentos da nova concessionária.
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