O Anuário NTU 2025-2026 mostra que a demanda dos ônibus está em 77,5% do nível pré-pandemia, 80% do sistema ainda é financiado pelos passageiros e avanço das motocicletas altera a mobilidade brasileira.
A publicação foi lançada nesta terça-feira (11/08), durante o 39º Seminário Nacional da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), em São Paulo.
O diagnóstico central é que o atual modelo de financiamento do transporte público chegou ao limite. Ao mesmo tempo, a perda de passageiros deixou de ser apenas consequência da pandemia e passou a se relacionar especialmente com o crescimento do transporte individual motorizado e o avanço recorde das motocicletas.
Um dos principais alertas do Anuário NTU 2025-2026 está na estrutura financeira do transporte coletivo.
O custo anual estimado dos sistemas brasileiros chega a R$ 75,7 bilhões, mas apenas cerca de 20% desse valor é coberto por subsídios públicos. Os outros 80% continuam sendo financiados diretamente pelos passageiros, principalmente por meio das tarifas.
Outro problema é a concentração dos subsídios em poucas capitais e regiões metropolitanas. Na maior parte dos casos, os recursos vêm de municípios e estados, sem participação permanente da União no custeio operacional.
A publicação também destaca a sanção do Marco Legal do Transporte Público Coletivo Urbano. Entre os avanços, a nova legislação estabelece a separação entre o custo real da operação e a tarifa paga pelo passageiro.
Entretanto, permanece ainda a necessidade de estruturar fontes permanentes de financiamento capazes de reduzir a dependência exclusiva da tarifa.
O Anuário NTU 2025-2026 também dedica um capítulo ao avanço das políticas de tarifa zero. Em junho de 2026, 146 municípios brasileiros tinham gratuidade universal no transporte coletivo. Outros 46 mantinham algum tipo de tarifa zero parcial, seja para determinadas categorias de usuários ou em dias específicos.
Apesar da expansão observada nos últimos anos, o ritmo de adesão de novas cidades desacelerou.
O levantamento mostra que a política permanece concentrada principalmente em municípios de pequeno porte.
Pela primeira vez, há o registro de oito casos de interrupção da tarifa zero por problemas fiscais.
A mão de obra é o principal componente dos custos do transporte coletivo, seguida pelos combustíveis.
A volatilidade dos preços voltou a pressionar os sistemas em 2026, especialmente após a elevação das cotações internacionais do petróleo.
Ao mesmo tempo, a frota brasileira continua envelhecida. A idade média dos ônibus é de seis anos e cinco meses, um patamar considerado elevado diante da necessidade de modernização e descarbonização.
Apesar da existência de programas federais voltados à renovação das frotas, a introdução de ônibus elétricos e outras tecnologias de menor emissão continua avançando abaixo do ritmo considerado necessário pelo setor.
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