No trilho certo propõe tarifa menor e integração dos transportes

Uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte, realizada em 2017 e repetida em 2024, revelou uma migração em massa para o transporte individual motorizado no Brasil. Em sete anos, a divisão que era equilibrada em 50% para transporte coletivo e 50% para individual passou a ser de 68% de uso do transporte individual e apenas 32% do transporte público. Para reverter esse cenário, a mesma pesquisa questionou os passageiros sobre o que os faria retornar aos sistemas coletivos, destacando como prioridades a tarifa menor, maior conforto e mais rapidez.

O estudo mostra que o desafio é tornar o transporte coletivo uma escolha mais viável para milhões de brasileiros, com tarifas que pesem menos no orçamento, viagens mais rápidas e sistemas integrados. Na prática, isso significa garantir ao cidadão mais acesso a empregos, educação, saúde e serviços, fortalecendo seu direito de ir e vir.

Com base nesse diagnóstico, a Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos – ANPTrilhos – apresentou a campanha No Trilho Certo, lançada no principal encontro de lideranças e especialistas de transporte de passageiros sobre trilhos do país, o Conexão ANPTrilhos que ocorreu na quarta-feira (26/8), em Brasília.

Para atingir as metas, a campanha apresenta três propostas:

A primeira é uma tarifa mais justa para quem usa o transporte público e financiamento permanente. O objetivo é criar uma política nacional de modicidade tarifária compartilhada entre União, estados e municípios, aliviando o peso da passagem para os usuários sem comprometer a qualidade operacional. A campanha sugere atualizar a lei do vale-transporte e buscar fontes alternativas estáveis de recursos, como o fortalecimento da Cide-Combustíveis, pedágios urbanos ou taxas de congestionamento.

A segunda, cidades integradas, mobilidade mais eficiente e governança metropolitana. Defende-se a criação de instâncias de coordenação federativa para planejar os sistemas de transporte como uma rede única e integrada, superando a fragmentação de linhas concorrentes. A integração de rotas, tarifas e meios de pagamento reduz custos e facilita o dia a dia do passageiro.

E a terceira, mais trilhos para as cidades e garantia de investimento contínuo na expansão da rede. A campanha propõe estabelecer um patamar mínimo de investimento de R$ 20 bilhões por ano para ampliar as redes de trens e metrôs nas regiões metropolitanas. Essa expansão deve priorizar os projetos estruturantes já mapeados pelo Estudo Nacional de Mobilidade Urbana nas maiores regiões metropolitanas do país.

Impactos no sistema de transportes

Os números mostram o impacto que essa transformação pode ter. Atualmente, os sistemas metroferroviários beneficiam diretamente 49,8 milhões de pessoas em 73 municípios e geraram R$ 44,6 bilhões em benefícios econômicos e sociais somente em 2025. A expansão prevista pelo Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, com 91 projetos e 1.749 quilômetros de novas redes, representa uma oportunidade de reduzir tempos de deslocamento, aproximar pessoas das oportunidades e transformar a mobilidade em uma política permanente de qualidade de vida.

No Conexão ANPTrilhos, a superintendente do BNDES, Luciene Machado, relembrou o compromisso histórico do banco com a infraestrutura e detalhou os bastidores do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, elaborado em parceria com o Ministério das Cidades. Ela ressaltou que 86 por cento das localidades brasileiras carecem de uma governança metropolitana integrada de transportes. Segundo Luciene, o estudo, que mapeou 187 projetos prioritários nas 21 maiores regiões metropolitanas, serve como um convite para construir uma visão técnica comum e tirar os investimentos do papel.

O ministro das Cidades, Vladimir Lima, enfatizou que o transporte de passageiros sobre trilhos é estratégico para a produtividade e a sustentabilidade das metrópoles. Ele informou que o Ministério das Cidades destinou mais de 7 bilhões de reais em investimentos desde 2023 para obras de VLTs, trens, metrôs e terminais. Adicionalmente, destacou as ações de descarbonização da frota pública, com a seleção de mais de 15 mil ônibus elétricos ou de baixa emissão.

Foto: Divulgação.

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