Prefeitura entrega 54 ônibus sem acesso ao Bilhete Único Intermunicipal 

Como se não bastassem os problemas acumulados, o Jaé, bilhetagem inventada pela Prefeitura para o transporte urbano, está metendo a mão no bolso do passageiro nos próprios ônibus que comprou para aumentar a frota. Entenda-se o metendo a mão como um custo para o cidadão bem acima do prometido.

A história começa com os 54 veículos de sete linhas da nova frota de Campo Grande, do Sistema Rio, entregues pela Prefeitura no mês de agosto, que circulam exclusivamente com a bilhetagem municipal Jaé. Com isso, os usuários cadastrados no Bilhete Único Intermunicipal (BUI) ficam impedidos de fazer a integração dos ônibus municipais com trens ou metrô.   

O valor que seria de R$ 9,40 no total, com o Bilhete Único, passa a ser descontado individualmente e fica até R$ 3 mais caro por trajeto. Um transtorno para quem anda com o dinheiro contado para pegar a condução.  

Além da integração intermunicipal, o BUI inclui benefícios como o Vale Educação, que é a gratuidade dos alunos da rede estadual do ensino fundamental e médio para o trajeto casa-escola-casa.   

O Riocard disse que não tem conhecimento do motivo pelo qual novas empresas de ônibus da capital estão operando sem validadores. “A empresa se coloca à disposição e informa que mantém os equipamentos para pronta-entrega para atender às necessidades dos operadores”, afirmou.   

A ausência do equipamento descumpre a lei estadual que instituiu o Bilhete Único no sistema de transporte intermunicipal (nº 5628/2009). O texto assegura o direito ao benefício tarifário em linhas da Região Metropolitana em todos os modais, inclusive “ônibus convencionais de empresas com concessão ou permissão de linhas municipais”.  

Portanto, não há justificativa para colocar em circulação ônibus sem acesso ao Bilhete Único, obrigando a população que precisa ir para o trabalho, escola, faculdade e consultas médicas a desembolsar mais dinheiro.  

Por nota, o governo do estado disse que está tratando do assunto com o município. “A Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) recebeu a informação e já está em tratativas com a Prefeitura do Rio para a implementação dos validadores nos novos ônibus incorporados à frota. O equipamento é indispensável para que os usuários cadastrados no Bilhete Único Intermunicipal (BUI) continuem tendo acesso ao benefício”. Ou seja, a Prefeitura está agindo ilegalmente. 

Todos os cartões devem ser aceitos  

O coordenador do Fórum de Mobilidade Urbana e especialista do setor Licinio M. Rogério destaca que a questão dos validadores do município e do estado expõe disputas sobre o sistema de bilhetagem no transporte público do Rio.   

Licinio defende um sistema único que permita o uso de todos os cartões e acabe com a disputa entre o estado e municípios. No cenário atual, cada esfera faz do seu próprio jeito e complica a vida dos passageiros.  

“Não tem que ter um cartão para cada transporte, isso só atrapalha as pessoas. É um debate mais amplo que precisa ser feito. O validador deveria aceitar qualquer cartão, sem a exigência de um específico da prefeitura. Quando você vai a uma loja, perguntam: é crédito ou débito? Ninguém quer saber a bandeira do seu cartão. Por que no ônibus tem que aceitar a sua bandeira? Isso está errado”, exemplifica o membro do Conselho Municipal de Transportes.  

Veja as novas linhas implantadas pelo novo Sistema RIO, na Zona Oeste, sem o validador do Riocard:  

821 | Campo Grande – Corcundinha (circular)  

822 | Campo Grande – Corcundinha (circular)  

869 | Campo Grande – Santa Margarida (circular)  

893 | Jardim Palmares – Campo Grande  

808 | Sagrado Coração – Campo Grande  

841 | Vilar Carioca – Campo Grande  

833 | Conjunto Manguariba – Campo Grande  

Têm direito ao benefício moradores do estado do Rio com renda mensal declarada inferior a R$ 3.205,20. Quem está habilitado no BUI também paga R$ 5 na tarifa social do metrô, do trem e das barcas.  

Foto: Divulgação.  

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