A Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) recebe frequentemente reclamações de usuários da TrensRJ sobre o abandono das escadas rolantes, que atendem as estações da concessionária. Diante desse descaso, o presidente da Comissão, deputado Dionísio Lins (Progressista) encaminha nesta quarta-feira (23/09) para o presidente da concessionária, um ofício cobrando que seja enviado no prazo de 15 dias, o número de equipamentos que se encontram parados, nome da empresa responsável pela manutenção dos equipamentos, bem como o valor desse contrato e o que a Trens Rio está fazendo para acelerar os consertos e vistoriar e manter o funcionamento.
“Não dá mais para ficarmos vendo diariamente pessoas idosas e com dificuldade de mobilidade sofrerem para embarcarem nas estações. É desumano o que o usuário vem passando em estações como Madureira e Méier, onde as escadas simplesmente não funcionam”, afirma Dionísio Lins.
Caso o posicionamento da empresa não seja consistente, a comissão entrará com uma ação no Ministério Público (MP) cobrando uma apuração rigorosa sobre o descaso da concessionária junto aos usuários. Uma audiência pública também não está descartada.
Rombo de R$ 1,9 bilhão da SuperVia
Depois de ficar 27 anos à frente da operação ferroviária do Rio, a SuperVia encerrou a concessão deixando uma série de dívidas com fornecedores, empresas responsáveis por manutenção de vagões, fabricação de peças, sinalização e outros serviços, que podem trazer consequências desastrosas na qualidade do transporte oferecido diariamente a milhares de usuários.
De acordo com o presidente da Comissão de Transportes, somente em maio esse valor chega perto dos R$ 15 milhões em dívidas com fornecedores diretos, sendo a maior dívida de R$ 1,9 bilhão com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Para o parlamentar, é preciso atenção redobrada para evitar que problemas antigos já conhecidos pela população voltem a acontecer. Apesar da nova operadora TrensRJ, gerenciada pelo consórcio Nova Via Mobilidade não ser uma estatal, ela atua sob um contrato de permissão regulado pelo governo estadual.
Essa falta de pagamento aos fornecedores já pode ser observada nos equipamentos que não estão em funcionamento. Se o fornecedor não recebe, ele não entrega a peça e não faz manutenção; e quem acaba pagando a conta é o trabalhador”, alerta.
Outro fator lembrado por Dionísio diz respeito à violência. De acordo com a própria TrensRJ, cerca de 14 estações estão sob o domínio do crime organizado, já que a malha ferroviária corta 179 comunidades controladas por esses grupos.
“Tenho certeza de que a administração estadual está atenta à situação e que irá intervir quando necessário. Mas não vamos aceitar que o passageiro seja penalizado duas vezes: pela violência e pelo descaso com o serviço”, finaliza.
Caso o posicionamento da empresa não seja consistente, a Comissão entrará com uma ação no Ministério Público (MP) cobrando uma apuração rigorosa sobre o descaso da concessionária junto aos usuários. Uma audiência pública também não está descartada.
Foto: Divulgação.



