Rodoviários denunciam condições precárias dos articulados

O Sindicato dos Rodoviários tem recebido denúncias dos motoristas sobre as péssimas condições dos articulados que circulam nas calhas do BRT. Segundo José Carlos Sacramento, vice-presidente da entidade, em muitos casos os profissionais são obrigados a sair da garagem com os carros apresentando problemas.

De acordo com os trabalhadores, são rodas que saem, motores que esquentam fazendo com que o veículo pare no meio da viagem, chassis empenados, além dos xingamentos e até agressões por parte dos usuários que não conseguem embarcar nas estações. Os ônibus atrasam devido às quebras constantes e quando param estão lotados, comprovando o sucateamento da frota.

“Não concordamos e nem aceitamos esse tipo de comportamento por parte da empresa. Os profissionais são pressionados a colocarem os carros para rodar e, caso não o façam, ficam sujeitos a punições que vão desde a suspensão até o desconto no contracheque dos dias parados, isso é inadmissível”, critica o vice-presidente do Sindicato.

José Carlos lembra ainda que hoje circulam no BRT cerca de 180 carros, que são auxiliados por 70 ônibus extras na parte da manhã e à tarde, considerados horários de pico, e que atendem principalmente as estações de Santa Cruz e Campo Grande. Ele disse também que durante a pandemia o BRT demitiu aproximadamente 1.200 funcionários, entre motoristas, fiscais, mecânicos e pessoal administrativo.

 Comissão de Transporte cobra aplicação de verba*

O presidente da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa, deputado Dionísio Lins (Progressista), informou que vai notificar a administração do BRT, pedindo que envie para a comissão o número real de articulados que realmente estão em atividade, os que estão em manutenção e o prazo para que eles voltem a circular.

O parlamentar disse ainda que entende que a prefeitura vem se esforçando para entregar aos usuários um transporte de melhor qualidade, mas para isso é preciso que haja investimento sério no setor. Ele lembra que a Câmara Municipal do Rio aprovou no início do ano um projeto que autorizava a prefeitura a investir recursos próprios para melhorias do BRT no valor de R$ 133 milhões. “Esse valor já foi utilizado? O usuário não aguenta mais disputar um espaço dentro dos ônibus, seja BRT ou os que circulam pelos bairros”, destaca.

Dionísio sugere que seja realizada uma licitação no setor, para melhorar a qualidade do deslocamento. “Seria fundamental para a locomoção nos bairros e ainda para trazer de volta linhas que alimentassem os terminais não só do BRT, mas também dos trens e metrô” , acrescenta.

Foto: Revista Ônibus

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