Alerj cobra explicações sobre mais de 300 novos radares no Rio

A decisão da Prefeitura em aumentar o número de radares nas ruas da cidade, chamou a atenção da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio. Para tentar entender o aumento dez vezes maior de equipamentos nas vias em relação ao ano passado, o deputado Dionísio Lins (Progressista), presidente da Comissão de Transportes da Casa, vai questionar a Prefeitura para que ela explique através de requerimento, os motivos para tantos radares espalhados.

O parlamentar quer saber entre outras coisas, se houve algum estudo técnico para a instalação dos equipamentos e quais os critérios adotados, se foi levado em conta a colocação dos radares em possíveis áreas de risco, qual a real finalidade desse número elevado de equipamentos, nome da(s) empresa(s) responsáveis pela instalação e manutenção dos equipamentos, cópia e valor do contrato, quanto já foi arrecadado com as infrações de trânsito desde o início do ano e onde essa verba é aplicada.

Dionísio entende ainda que a instalação de novos equipamentos de controle de velocidade precisaria ser antes avaliada por um corpo técnico independente, como a Comissão de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Instituto de Segurança Pública (INSP) já que se deve levar em conta a periculosidade de onde eles serão instalados.

“Não estamos incentivando o desrespeito às leis de trânsito como o excesso de velocidade e o avanço de sinal; mas em apenas seis meses a Prefeitura espalhar pelas ruas mais de 300 novos radares sem nenhuma explicação é no mínimo preocupante. Imagine você voltando para casa e ser obrigado a reduzir a velocidade em determinada área devido ao radar? O cidadão acaba tendo que escolher entre ser assaltado ou acelerar, correndo o risco de ser multado para garantir a segurança de sua família. Não seria mais prático e louvável ao invés de pensar somente em arrecadar, a Prefeitura realizar mensalmente campanhas para educação no trânsito; campanhas essas que normalmente só vemos durante as festas de fim de ano e no Carnaval?” – Indaga.

Outra preocupação da comissão diz respeito a possibilidade da existência de uma indústria de multas na cidade, já que muitos motoristas encontram dificuldade na hora de recorrer das infrações junto as Jaris com a burocracia atual. Ele lembrou, por exemplo, que em 2021 foram arrecadados cerca de R$145 milhões com multas de trânsito; já em 2018 esse valor foi de R$ 234 milhões, sendo considerado o maior valor arrecadado desde a criação do Código de Trânsito Brasileiro. É preciso que fique claro para onde vai toda essa arrecadação, já que o Código de Trânsito determina que a receita com multas seja aplicada exclusivamente em sinalização, policiamento, engenharia de tráfego, fiscalização e educação no trânsito.

– Não basta apenas colocar os equipamentos para arrecadar. É preciso que haja sempre uma verificação desses pardais, já que a comissão tem recebido informações de motoristas da existência de um grande número deles escondidos atrás de árvores e postes, com ligações feitas diretamente na rede elétrica e sem relógio para verificar o consumo. Além disso, existe denúncia de pardais serem colocados em uma distância de menos de 100m de um para outro no mesmo lado da via, como o existente na Estrada do Catonho, próximo ao Motel Qeem, fazendo com que o motorista reduza para a velocidade permitida que é de 60km e quando volta a acelerar é autuado pelo pardal seguinte, se transformando em uma verdadeira pegadinha – explicou.

Foto: Divulgação

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