Transbrasil será concluída em 2019, diz subsecretário de Urbanismo

Os engarrafamentos na Avenida Brasil causados pela construção do BRT Transbrasil vão durar até o ano que vem. Segundo o subsecretário Sebastião Bruno, da Secretaria Municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação (SMUIH), as obras, paralisadas desde março, deveriam ter sido retomadas no final de maio, com o aporte financeiro da Caixa Econômica Federal (CEF). “O corredor está 85% concluído. Com a liberação dos recursos, vamos operar em ritmo acelerado e, em 2019, teremos o BRT operando”, garante o subsecretário.

O Ministério das Cidades questionou a falta de conexão do corredor com outras vias e o projeto teve de sofrer alterações para receber as verbas da CEF. Segundo a SMUIH, o governo anterior licitou apenas o trecho Deodoro-Caju, não incluindo os três terminais de ligação: Terminal de Deodoro, que se ligaria à Transoeste e à Transolímpica; Terminal Margaridas, para conectar os ônibus que vêm da Baixada Fluminense pela Rodovia Presidente Dutra; e o Terminal das Missões, que faria a ligação pela Baixada Fluminense para quem vem pela Rodovia Washington Luiz.

Para construir o restante do trajeto do Caju até o terminal Novo Rio, sem mexer no orçamento inicial, a SMUIH propôs substituir a pista de pavimento de concreto por asfalto no trecho entre Deodoro e Irajá, bairro onde ficará o Terminal das Margaridas. A Secretaria sugeriu também reduzir de quatro para três, o número de estações nesse trecho.

A troca foi aceita pelo Ministério das Cidades, mas não é vista com bons olhos por especialistas. O risco principal é de o asfalto ceder, devido ao tráfego pesado, como aconteceu no corredor Transoeste. A engenheira de tráfego Eva Vider, da Escola Politécnica da UFRJ, afirma que o piso de concreto é o mais adequado para suportar a carga que será transportada, sem o perigo de abrir buracos ou ondulações na pista. “A durabilidade, segurança e conforto do concreto são maiores do que as do asfalto”, comenta.

A Prefeitura se defende, dizendo que diferentemente da Transoeste, que foi construída sobre um terreno de superfície mole, com pontos pantanosos e de alagamento, a Avenida Brasil tem outro tipo de solo. De acordo com a SMUIH, quando a via foi construída em 1946 recebeu, após as obras de drenagem, estaqueamento e reforço de concreto por baixo da manta asfáltica.

Interdições prejudicam passageiros

As pessoas que moram nos bairros que cortam a via ou que transitam nela diariamente perderam as esperanças de ver o cronograma cumprido. Desde que as obras começaram, Clóvis dos Santos tem de sair duas horas mais cedo de casa, em Irajá, para chegar no horário no trabalho, no Centro. “O trajeto que fazia, no máximo em uma hora, agora faço em duas horas, às vezes em até mais tempo, e isso já dura três anos”, queixa-se.

O professor da Escola Politécnica da UFRJ, Giovani Manso Ávila, explica que o projeto vai melhorar o tráfego na via, que é o principal acesso ao Centro do Rio dos deslocamentos oriundos das zonas Norte, Oeste e Baixada Fluminense. Entretanto, o engenheiro de Transportes alerta para os problemas de segurança e manutenção da frota e pavimentos, que são similares em todos os corredores. “A criação de uma polícia de tráfego, a exemplo da ferroviária nos trens, é medida altamente recomendável”, observa Ávila.

Custos da obra

Os recursos para a construção do Terminal de Deodoro, negociados com o BNDES, custarão R$ 100 milhões e já foram liberados . O Ministério das Cidades vai financiar por intermédio do programa “Avançar Cidades” a construção dos terminais das Margaridas e das Missões, com custo estimado de R$ 50 milhões cada. De acordo com a SMUIH, até o momento não houve aditivos dentro ao contrato original, e foram desembolsados R$ 909.395.358,67.

Foto: Divulgação/ Redes Sociais.

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