Estudo da NTU revela agravamento da crise do transporte público

Um monitoramento realizado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) mostra que, no período de 16 março 2020 a 30 de abril de 2021, os sistemas de transporte público por ônibus no Brasil registraram prejuízos de R$ 14,24 bilhões. No estudo sobre o impacto da pandemia no setor, destacam-se a interrupção da prestação dos serviços de 25 operadoras e um consórcio operacional e demissões de 76.757 trabalhadores.  O levantamento observa também a insatisfação da população com a redução ou interrupção da oferta de transporte público. “Esses dados confirmam o cenário de colapso que a NTU vem alertando há alguns meses ao poder público”, desabafa Otávio Cunha, presidente-executivo da Associação.

Nesses 14 meses, 88 sistemas de transporte público por ônibus em todo o país foram atingidos por 238 movimentos grevistas, protestos e/ou manifestações que ocasionaram a interrupção da oferta de serviços em várias cidades. Na maioria dos casos, os protestos foram motivados pela falta de caixa nas empresas para o pagamento de salários e benefícios para os colaboradores, devido ao desequilíbrio econômico-financeiro causado pela forte queda na demanda de passageiros.

No Rio, no mesmo período o déficit de receita acumulado é de R$1,4 bilhão 7 mil rodoviários foram demitidos. A média diária de passageiros transportados caiu de 3,5 milhões para 1,8 milhão. Ao longo do período, deixaram de ser transportados 560 milhões de passageiros na cidade. Desde 2015, 16 empresas fecharam as portas no Rio, duas delas durante a pandemia.

Sem perspectivas de melhora

De acordo com o presidente da NTU, esse cenário só tende a piorar, enquanto o Poder Público nas três esferas de governo – federal, estadual e municipal – não atentar para as necessidades desse sistema. “Há uma necessidade emergencial, de ajuda financeira imediata, e uma necessidade de longo prazo, de reestruturação total da forma de contratação e operação dos serviços, como já foi proposto ao Governo Federal”, acrescenta o presidente da NTU.

Essas mudanças são consenso entre todas as entidades do setor, especialistas e organizações da sociedade civil ligadas ao transporte público”, acrescenta o presidente da NTU. Otávio Cunha enfatiza que, se nada for feito, o transporte público, em especial o ônibus coletivo urbano, não se sustentará por muito tempo e não sobreviverá após a pandemia, especialmente se for mantido o atual modelo de remuneração do serviço custeado somente pelo preço das passagens paga pelo usuário.

Foto: Divulgação

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